Reflexão
setembro 1, 2009
Segundo o filósofo, cientista, matemático, diplomata e bibliotecário alemão Gottfried Leibniz capacidade de reflexão é o que nos destingui dos animais, quando operada, caracteriza uma ação como livre. Os homens têm a capacidade de pensar a ação e saber por que agem. Entretanto percebo que nos ultimos tempos a sociedade cada vez menos tem exercido sua capacidade de reflexão de uma forma global, estamos cercado por pessoas que no trabalho não conseguem pensar antes de agir e agem de uma forma automatica e pre-programada como se o fato delas serem criaturas com a capacidade de raciocinio não fizesse diferença alguma em suas vidas.
É impressionante como em meio a uma sociedade cada vez mais “conectada” a internet, cercada por twitters, blogs e orkuts que são ferramentas que influenciam a auto-reflexão, a maioria não é capaz de entender de forma plena como suas ações influenciam em suas proprias vidas e isso me deixa cada vez mais insensivel perante a sociedade.
No episodio da rainha dos “bachinhos” onde sua querida filha escreveu que iria gravar uma “sena”, as pessoas fizeram piadas com o fato, pois é realmente impressionante que a filha de alguem tão publico tenha as habilidades ortograficas tão saturadas. Em represalia as piadas a “Chucha” disse que sua filha havia sido alfabetizada em inglês. Mas onde estava a reflexão dela na hora de entender que não pode recriminar as pessoas por corrigirem sua filha ja que a mesma não o fez! Se ela foi alfabetizada em ingles que postasse em ingles!
Desmistificando o Ateísmo
abril 24, 2008
Parte III
O que um ateu não faz.
2 – Usar deliberadamente expressões como “Graças a Deus”.
Eu ainda era criança quando me contaram essa piadinha. Bem por isso eu não a lembre direito e é possível que não tenha tanta graça. Mas vamos lá:
A senhora chega ao médico queixando-se de 35 tipos de dores diferentes. Enxaqueca, febre, mal-estar, dor nas “juntas”, tendinite, hemorróida, corrimento, o diabo.
O médico a trata cuidadosamente, atendendo-a por horas e horas, realizando todos os tipos de exames, empregando as últimas técnicas de diagnóstico, em equipamentos de última geração. A senhora vai para casa com as devidas receitas dos remédios que deveria tomar, assim como as precauções e demais procedimentos a fim de evitar maiores incômodos até que o tratamento termine.
Cinco dias depois ela reaparece no consultório.
- Bom dia, Dona Bentinha, – diz o médico – como vai a senhora?
- Ah, doutor – responde ela – fora uma dorzinha de nada que eu tenho no ombro, o resto ta tudo bem, GRAAAAAÇAS A DEUS!
- Graças a Deus, né? Então a senhora volte pra casa e da próxima vez se consulte diretamente com Ele!
E é assim que funciona sempre.
O que mais me incomoda, entretanto, é o “Graças a Deus”. Esses dias saí do sério. A TV mostrava o vídeo ao qual a menina de Goiânia, vítima de maus-tratos seriíssimos por parte da madrasta, estava toda amarrada, amordaçada, com a língua picotada por diversas “brincadeiras” com um alicate. Os dedos dos pés e mãos mutilados, e outras coisas mais que… “Deus me livre”.
Aí alguém lá em casa soltou um comentário, dizendo: “Graças a Deus encontraram essa menina! Abençoados sejam os policiais.”
Emputeci.
Sagazmente falei:
- Você não acha que se Deus tivesse realmente alguma coisa a ver com isso, o que teria feito, em sua “santa” inteligência, era ter EVITADO o sofrimento dessa inocente?
Ninguém quis replicar. Afundei no sofá como se tivesse cometido o crime bárbaro de acordar e fazer acordar.
Aliás, “graças a deus”, ninguém replicou. Com certeza eu teria ouvido as maiores falácias empregadas nos últimos 2008 anos de história da humanidade e teria emputecido mais ainda. Alguém diria: “Deus testa os seus fiéis”. Outros: “Ele sabe o que faz”. Mais: “Deus dá o frio conforme o cobertor.”
As pessoas são estranhas. Psicologicamente falando, devemos ter alguma coisa que nos prende afetivamente ao nosso carcereiro. Sei que tem. Existem teorias psicológicas a respeito. Vou procurar depois e linkar aqui. Diz basicamente que o sujeito vítima do cárcere começa, depois de determinado tempo, uma aproximação quase afetiva com o carcereiro. Mórbido, não? É o que sempre nos ensinaram e sempre seguimos cegamente.
É engraçado pensar como a religião usou de forma singular o conhecimento sobre a psicologia do medo durante todos esses anos. Não foi por acaso que todo o conhecimento disponível, durante séculos, estava concentrado nos mosteiros cristãos europeus, guardados a sete chaves, para pouquíssimos. A própria bíblia, livro dito sagrado foi, durante séculos, proibido de ser reproduzido. Traduzi-lo já foi considerado heresia. Lembram-se? Pois é.
Aquela conduta ilibada, aquela pompa de roupas magistrais, de cenhos cunhados nos céus, aquela palidez mórbida dos enclausurados; toda aquela poesia visual e verdadeiramente temida apenas completava (e completa até hoje) a magia por trás da enganação pura. Cada vez que eu vejo um filme daqueles épicos, do século XV, por aí, com o Rei se aconselhando com o bispo, o papa, etc… aquilo me dá arrepios.
Coragem tinha Napoleão Bonaparte. Disse certa vez, ao ser expressamente repreendido pelo santo pontífice.
- “Pois me digam quantos homens tem o exército do Papa!” – e assim terminou a discussão.
Mas, voltando à psicologia do medo, imposta pela religião. Essa expressão “Graças a Deus” é tão emblemática que, se bem pensada, levaria anos para se discorrer a respeito. Eu fico imaginando o que pensam as pessoas que acreditam que tudo o que têm devem à um ser onipresente. E penso, ato contínuo, qual o sentido que dão às suas próprias ações. “Destino”? Fique em casa amanhã e a eterna Corregedoria do Grande-Fodão mandará o seu chefe demiti-la. Mas não se preocupe, o Barbudo tem um plano mais ambicioso para você do que trabalhar com aquela escória. Em breve você não terá dinheiro nem para o papel higiênico, mas não se preocupe: “Ele dá o frio conforme o cobertor”. Penso que higiene pessoal não entre no quesito “doação” aos filhos-mendigos-que-moram-nas-ruas.
Junte-se uma pessoa que pensa que tudo o que faz e deixa de fazer é vontade de Deus e teremos uma horda de missionários pseudo-imputáveis, praticando a justiça divina, inclusive contra os que pensam contrariamente sobre o seu Deus. Não, não quero fazer terrorismo.
O ser humano tem essa necessidade de se sentir especial em relação aos outros. Em acreditar ser diferente. Por isso acreditam que outros fazem milagres, que são escolhidos, pinçados do meio da multidão, sobem em morros e descem com leis ditadas diretamente por Deus. Outros acreditam que o sujeito nasce de uma virgem. Outros que alguém, retirado algum tempo nas montanhas da Arábia, volta depois de ter encontrado Deus.
Quem não queria ser o “bastante procurador” do Grande-Fodão criador do universo? Já viu aquele adesivo no carro do vizinho dizendo “Não sou o dono do mundo, mas sou o filho do dono”? É a materialização da pureza, perseguida insistente e cegamente pela plebe, impossível de ser alcançada senão em mitos, que convergem para a realização de várias missões complexas, irreais e ilógicas (contraditórias até) sobre o sentido da vida, a existência da moral pura e da criação de tudo o que existe.
E estes mitos, perseguidos por todos, estão lá, paradinhos na vitrine mágica do misticismo religioso mentiroso, que faz os incautos derreter de febre ante o medo da grande musculatura raivosa do Senhor dos senhores.
Mas isso é assunto pra outro papo. “Se Deus quiser”.
Mais um brasileiro na série de tv LOST
abril 24, 2008

Muito criativo! Menos um padre no mundo.
Bento XVI – E seu discurso estupefato em defesa da igreja.
abril 22, 2008
Como todos sabem o Pontífice está em visita oficial aos E.U.A. Em meio a um País que nos últimos anos tem tido ibope com escândalos de abuso de menores por parte de Padres e Bispos da igreja católica Bento XVI resolve dar suas declarações sobre o assunto e adivinhem o que ele falou:
1. “Reconheço a dor que a Igreja nos Estados Unidos viveu por conta da experiência resultante do abuso sexual de menores”
2. “Grandes esforços já foram feitos para lidar de forma justa e honesta com esta trágica situação e em garantir que nossas crianças, a quem Deus ama tão profundamente e que são nosso maior tesouro, possam crescer em um ambiente seguro”
3. “Ontem, falei com os seus bispos a esse respeito. Hoje, clamo a cada um de vocês que busquem a cura e a reconciliação.”
Respondendo agora categoricamente cada uma das afirmações de Bento XVI:
1. Quem menos sentiu a dor resultante dos abusos sexuais de menores foi a Igreja dos Estados Unidos, mais uma vez a igreja tenta confundir as responsabilidades tentando se esquivar de seus podres. Quando a atitude da igreja é boa e samaritana fala-se que Deus através da igreja ajudou ou beneficiou parte da sociedade. Mas quando a igreja deteriora ou abusa moralmente desta mesma sociedade não é uma atitude Divina? Ou seja que o Diabo é intermediado por esta santa eucaristia também?
2. A própria SNAP (associação de vitimas de abusos sexuais por padres) já declarou que não viu nenhuma atitude ser tomada até o momento, que em muitos casos os padres e bispos foram apenas transferidos. Estes homens são tão divinos que não são atingidos nem pelas leis dos homens? Essas crianças podem sim crescer em um ambiente seguro: Fora da igreja!
3. Posso estar interpretando errado mas ele pede para que a população busque a cura e a reconciliação? Mas este é um problema da igreja! Acho engraçado porque se uma “seita” abuse de menores, todos são presos de imediato e a seita é chamada de doentia. Se isso acontece na igreja é porque a população esta doente e deve se reconciliar para que os padres parem de molestar os menores? A muitos e muitos anos a igreja católica tem tais tipos de comportamento e até piores a diferença é que agora as pessoas estão tomando coragem para enfrentá-la.
Então clamo eu a todos pela importância extrema de separarmos Política e Religião, devemos partir para cima destes “homens santos” com toda a ferocidade que a justiça dos homens pode ter. Porque eles são psicopatas armados com um arsenal de jargões e apropriações morais para conduzir os jovens deslumbrados para o caminho obscuro dessa pedofilia santificada. Já esta mais do que na hora de dizermos basta para esses abusos da Igreja Católica, que tenta salvar células embrionárias mortas e crianças concebidas de estupro para preencher suas lacunas de pedofilia!
Desmistificando o Ateísmo
abril 16, 2008
Parte II
“A vida que não é examinada não vale a pena ser vivida.” – Sócrates
O que um ateu não faz.
1 – Um ateu não falta ao trabalho pelo simples fato de que, não havendo um Deus para julgar se suas ações são boas ou más, ele não precisa ter responsabilidades.
Um ateu não falta ao trabalho pelo simples fato de que para ele, não havendo um Deus para julgar boas ou más suas ações, deve faltar com suas responsabilidades.
Acreditem, senhores: os ateus sabem o que é ética! Eles sabem o que é responsabilidade, dever, obrigações. Eles pagam contas, esperam os sinais fechados abrirem, param nas faixas de segurança. Na maioria das vezes, também respeitam as filas.
Não vou lhes dizer que os ateus são incorruptíveis. Muito menos que são seres supremos, “divinos”, melhores do que qualquer outro ser humano pensante. Não! Se o fizesse, estaria negando todo o Humanismo. É melhor deixar para os religiosos a crença de que há homens melhores que os outros, que homens são melhores que as mulheres, que têm mais direitos e moralmente são imputáveis. É preferível deixar para a religião julgar as mulheres até pelos seus pensamentos. É prerrogativa da religião julgar a mulher incapaz de certos atos. Negar-lhe os postos de poder.
Ficamos pensando o que querem dizer os crentes com a frase “aceitar Jesus”. Hoje não entraremos no mérito da existência ou das qualidades atribuídas a este “ente histórico”. Vamos falar das ações práticas, do que se pode ver e ouvir. Pressuponho, na minha nobre ignorância sobre os evangélicos fervorosos que, aceitar Jesus seja, além de pagar o dízimo mensal, tomar a própria vida pela retidão em suas ações, pela honestidade, pela responsabilidade e pelo bem, próprio e comum. Afina, toda a “filosofia” cristiana foi pautada em exemplos de bondade, sinceridade, verdade, esperança, retidão, etc. Pode ser que, além disso, inclua-se pecadinhos menores no caixa da sacristia ou pensamentos libidinosos com a mulher do próximo, mas eu duvido muito. Prefiro pensar que trata-se da retidão das ações humanas: de ser ético, de seguir preceitos morais e manter uma conduta ilibada.
Sendo assim, apenas uma pessoa crente, ou que aceite Jesus, pode ter ações eticamente elogiáveis e moralmente ilibadas?
Um dos argumentos mais pertinentes que Richard Dawkins compõe em seu livro “Deus, um delírio”, é de que não há diferenças morais ou éticas nas ações de crentes e ateus. Em suma: “Não há nada que um crente faça que um ateu não possa fazer.”
O fato de “seguir Jesus” não evita os crentes de pecar, assim como não há nada que impeça um ateu de fazer o bem.
Mas qual a importância disso?
Ora, se fazemos determinada ação (benéfica) única e exclusivamente por que “temos Jesus no coração”, o que motiva o que “não tem Jesus” a fazer igual? Onde está a diferença moral entre os crentes e os ateus? O que faz os crentes pensarem que a retidão moral e ética provém de um ser supremo, que concedeu a inteligência humana, de uma hora pra outra, como vê-se em alguns artigos por aí? Eles não conseguem ver que o próprio medo constante de um “castigo divino” os “coage” a determinadas condutas que, sem esse perigo da fúria divina as suas ações, regra geral, não teriam escrúpulo?
Provável e infelizmente nenhum destes por aí admitirá que as suas boas ações são medo do castigo, mas todos esperam um lugarzinho no céu. Aliás, a própria figura do “Reino dos Céus” o que é? Lugar reservado aos bons e aos propagadores da “verdade”. Os maus (e os ateus), que queimem numa imensa caldeira fumegante, por que Deus só faz isso por que ama você! Apesar de te mandar pro inferno, ele te ama! Nunca esqueça disso! Principalmente quando deixar voltar aquele cheque por insuficiência de fundos – um pecadinho bem menor que estuprar uma criança indefesa…
Desmistificando o Ateísmo
abril 15, 2008
Parte I
Senhoras [1] e Senhores,
Grandes são as chances de que, em uma roda de pessoas ditas cultas, especialmente conhecedoras de todos os “dogmas” eclesiásticos, de todas as orações a todos os santos e santas, de todas as passagens bíblicas e, mais especialmente ainda, de todos os ritos simpáticos de festas como Páscoa, Natal e Ano Novo; grandes são as chances, de que você ouça falar coisas aterrorizantes sobre os ateus.
Aliás, com certeza você ouvirá que o fato de alguém negar, ou simplesmente questionar a existência de Deus, é algo aterrorizante. O que leva uma pessoa a pensar assim? Será que ela perdeu toda a família em um acidente? É viciado em drogas? Foi traído pelo esposo ou esposa? Um solteirão encalacrado num quartinho escuro de uma pensão no subúrbio da capital?
Por que todos os ateus são desgraçados que, desgarrando das asas protetoras do Senhor, caíram nas periferias do pensamento, negando Aquele que o “colocou no mundo”? Será que eles são, também, um próprio projeto de Deus? Seres pobres de fé que, não agüentando a carga imensa de “provações”, resolveram revoltar-se por serem fracos?
Bem, aos poucos, talvez você também sinta pena, pense, discorde em partes, se sinta incomodado com esse pré-julgamento. Talvez você ensaie dizer que, bem, não é bem assim. Você diria: “Eu conheço um amigo de um parente do meu vizinho que é ateu e é feliz”. Sim, te olhariam com as caras mais estranhas do mundo. Afinal, é impossível imaginar um ateu feliz! Ora, um ateu pode ESTAR feliz, agora. Mas, quando morrer, irá direto para o inferno, sob a alegação inegável de ter “negado o Senhor”.
É muita pretensão minha, aqui, em pequenas palavras, querer falar sobre todos os ateus. Eu não posso dizer que o que eu sinto é o que o outro sente. Nem gostaria de pensar nisso. O que direi pode ser aterrorizante, talvez, para você que ainda está do “lado de lá”. Que ainda pensa ser um ateu a pessoa mais infeliz e desgraçada do mundo. Veja, antes de tudo: é preciso saber que antes de negar a existência de Deus, nos pomos a questionar. Sendo assim, você poderá encontrar ateus que questionam, outros que negam, outros que atacam, outros que acham que Deus é qualquer outra coisa que não o ensinado pelas igrejas e seitas que estão aí.
Você encontrará ateus com mais ou menos argumentos. Com mais ou menos tempo de estudo sobre as mais diversas religiões. Você encontrará ateus até que “acreditam” eu Deus mas, por outro lado, são mortalmente contra qualquer tipo de religião.
Mas, pasme, você encontrará “ateus” também indo à missa, aos domingos pela manhã.
Estes são os piores, meu amigo. Porque estes, ao contrário da maioria dos ateus, nem sequer teve o lampejo de questionar qualquer coisa em sua vida. Ele simplesmente aceitou tudo o que lhe disseram, tal qual lhe disseram. E isso é perigoso. Esse tipo de pessoa poderá fazer qualquer tipo de coisa se mais ou menos convencida, com argumentos tão reais quanto os destroços da Arca de Noé.
Você poderá travar discussões homéricas com estes “ateus” sobre Adão e sobre Eva. Sobre o Paraíso, a cobra e a maçã. Mas, por favor, jamais, nunca, sob hipótese alguma interrogue este sujeito sobre o homem de neanderthal ou as múmias do Egito. Muito menos sobre dinossauros. E jamais fale sobre aborígenes.
Eu já fiz isso e fui vítima de algo terrível, que me marcou para toda a vida. O sujeito me olhou dos pés à cabeça e disse:
- Deus não está aqui (apontando para a cabeça), está aqui (apontando para o peito).
Aquele foi, então, o argumento que faltava para não crer mais no Deus das religiões.
[1] por que aqui, ao contrário de algumas religiões, a mulher será respeitada, e não um mero objeto sexual preso a um cárcere metafísico baseado nas sagradas escrituras…
O “panta rhei” e a guerra entre os contrários.
abril 14, 2008
“Panta Rhei” era a “máxima” utilizada pelo filosofo Heráclito cujo significado é “Tudo Flui”. Foi preciso muita audácia deste homem em meio a uma Grécia tomada pelo parmenidianismo para impor seu pensamento que tinha um principio básico: A guerra entre os opostos e a inconstância da matéria.
Deus segundo Heráclito:
“O Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um”.
Neste argumento, podemos ver que Heráclito considerava as diversas divindades da mitologia grega, que eram adoradas pelos homens de seu tempo, como sendo apenas fogo misturado a diferentes tipos de incensos. Apesar de simples essa teoria tem muito de um pensamento a priori, que foi muito utilizado mais a frente de seu tempo em uma Alemanha tomada pelo pensamento racional e que por sua vez acabou criando toda a base do conhecimento Ateísta moderno.
Citando mais uma frase de Heráclito desta vez a respeito da Alma:
“Para alma é morte tornar-se água, e para água é morte tornar-se terra, e de terra nasce água, e de água alma”.
Agora vejam a similaridade de tais pensamentos aos poemas de Fernando Pessoa interpretando seu heterônimo Alberto Caeiro quando fala de Deus:
“Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora”
Hora feito meu comentário deixo aqui um dilema:
Porque este Deus tem de estar literariamente classificado? Porque este Deus tem tal conhecimento sobre o ser-se-ia de cada um e de como cada um deve vê-lo? Porquê se ele é algo a mais do que fumaça do incenso de cada um, então não acredito. Pois tudo que vejo é apenas fumaça.
Bem vindos!
abril 14, 2008
Boas vindas aos visitantes deste novo Blog que tem como principio o debate e a dissertação sobre assuntos que envolvam Filosofia, Ateísmo e Política. Os redatores e criadores oficiais serão Mateus e Daniel. Gostaria de informar que todas as opiniões demonstradas aqui são de caráter pessoal e não tem como sentido influenciar ou menosprezar ninguém assim como nenhuma instituição propriamente dita.